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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

SP: trem volta aos trilhos após 17 anos de abandono

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Dezessete anos após percorrer pela última vez a ferrovia, dois vagões de passageiros voltaram aos trilhos no interior de São Paulo.Agora, viajaram de Itirapina a São Paulo para serem recuperados e usados no Expresso Turístico, que opera na capital.

Enquanto em 2001 eles estavam limpos, com bancos e teto em bom estado de conservação, hoje têm chão sujo, teto com necessidade de restauro e bancos quebrados, rasgados ou queimados –além do desgaste natural do tempo.

O “renascimento” dos vagões ocorreu na última quarta-feira (1/8) e reuniu a bordo um personagem emblemático nessa história toda: Vanderlei Antonio Zago, que trabalha na ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) e esteve na última viagem dos carros de passageiros em 2001.

A composição deixou Itirapina às 12h e chegou a Campinas apenas às 21h, já que o trecho tem várias obras em andamento. De carro, o percurso de 127 quilômetros é feito em pouco mais de uma hora e meia.

A jornada iniciou com o trem cruzando o trecho urbano da cidade, passando por meio de matas e lavouras na sequência e encontrando outro trem, no sentido contrário –em linhas diferentes, claro.

O trajeto contempla ainda pontos com vegetação queimada devido ao tempo seco e a visão noturna do campo que os passageiros tinham quando viajavam num dos dois carros, que eram de segunda classe e pertenceram à Estrada de Ferro Araraquara.

Zago registrou em vídeo a viagem, que oferece ainda ângulos diferentes dos habitualmente vistos, como a visão a partir do trem da rodovia Washington Luís, no trecho entre Santa Gertrudes e Rio Claro, e o cruzamento com outra locomotiva na escuridão.

“Para mim foi uma viagem emocionante, porque estive no último trem entre Campinas e Itirapina, justamente com esses dois carros em questão e voltei neles 17 anos depois, no mesmo trecho”, disse Zago.

Além do trecho até Campinas, os vagões foram levados a Jundiaí no mesmo dia. Na sexta-feira (3) percorreram o trecho até a Lapa, na capital.

Antes da viagem para restauro, os vagões estavam em Bauru e foram para Pederneiras, onde questões técnicas dos carros de passageiros foram resolvidas para que pudessem viajar. Uma delas foi a colocação de um vagão vazio na cauda, norma para traslados do gênero.

Em parceria com a CPTM, eles serão utilizados no Expresso Turístico, que parte todas as semanas da Estação da Luz. Segundo a ABPF, os dois vagões são iguais a outros já existentes em operação na capital.

Os dois carros de aço inox passavam por um processo visto como agonizante por membros de associações de preservação ferroviária.

Com eles parados em Bauru, foram depenados e só não estão em pior estado devido às ações de um funcionário da prefeitura, que se dedicou a tentar protegê-los.

SP tem o expresso turístico

O Expresso Turístico, que vai receber os vagões após o restauro, é um serviço inaugurado em 2009 pela CPTM e a Secretaria dos Transportes Metropolitanos para integrar pontos turísticos em sua malha ferroviária.

Os carros de passageiros são tracionados por uma locomotiva a diesel e, no trajeto, há monitores que explicam a história da ferrovia e das estações percorridas.

Os vagões usados pertenceram à Estrada de Ferro Araraquara e faziam no passado a linha entre a Estação da Luz, na capital, e Santa Fé do Sul, passando por Campinas, Araraquara e São José do Rio Preto, entre outras cidades. Por rodovia, o trajeto hoje tem 627 quilômetros.

O expresso percorre aos sábados e domingos os trechos Luz-Jundiaí, Luz-Mogi das Cruzes e Luz-Paranapiacaba.

Neste domingo (5) e nos dias 12, 19 e 26, ele fará o trajeto até Paranapiacaba, com partidas às 8h30. No dia 11, irá até Mogi das Cruzes, no mesmo horário.

Já as partidas para Jundiaí acontecerão nos dias 18 e 25, às 8h30


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Que tal voltar à História em São Paulo?

1º hotel de luxo de SP, Ca'd'Oro reabre as portas com acervo histórico. Hotel volta às atividades repaginado, mas com lembranças do passado. Estabelecimento tinha fechado as portas em 2009 após 53 anos.

              
Gerente Fabrizio mostra orgulhoso o exemplar do piano Erard que tem no restaurante (Foto: Fabio Tito/G1)

"Uma brincadeira entre o moderno e o antigo". É desta forma que o gerente geral, Fabrizio Guzzoni, apresenta, entre um gole de café e outro, o resultado da reforma pela qual passou o Hotel Ca’d’Oro, o primeiro cinco estrelas e um dos mais tradicionais de São Paulo, que reabriu as portas na última semana após quase sete anos de obras.

Localizado na região do Baixo Augusta, próximo à Avenida Paulista, o Ca'd'Oro havia fechado as portas em dezembro de 2009, após 53 anos de atividade ininterrupta.

Acostumado a receber celebridades, como o tenor italiano Luciano Pavarotti e chefes de estado, como o rei espanhol Juan Carlos, o hotel sucumbiu à degradação que atingiu o Centro da capital nas últimas décadas e já vivia uma realidade bem distante do seus tempos áureos. As reservas, antes abundantes, passaram a ser cada vez mais escassas.

Para Guzzoni, que além de gerente é herdeiro da marca, a mudança na geografia da cidade foi a principal responsável pela queda no número de clientes. O centro empresarial e financeiro da capital, que se concentrava quase que exclusivamente na região da Paulista, migrou para outras áreas, como a Berrini e Faria Lima, e o hotel, que chegou a ter cerca 400 quartos, tornou-se obsoleto: a oferta já era muito maior do que a demanda.

"O trânsito de São Paulo é um pouco caótico então você tem esse problema, de cliente falar: 'Fabrizio, adoro o seu hotel, mas meu escritório é hoje na Berrini. Eu não posso mais me hospedar com você porque eu demoro uma hora e meia para ir e uma hora e meia para voltar", explicou.

Venda e obras
A arquitetura do novo Ca'd'Oro em nada lembra o antigo. Ele foi vendido pela família Guzzoni e, sua estrutura, totalmente demolida. O terreno foi adquirido pela incorporada Brookfield, que criou o chamado "empreendimento misto" no local. Duas torres foram erguidas lá: uma exclusivamente residencial, com entrada pela Rua Caio Prado, e outra híbrida, que reúne salas comerciais e o hotel, com acessos pela Rua Augusta.

Apesar de funcionarem no mesmo prédio, os escritórios e o Ca'd'Oro têm estrutura independente. Cada um tem os seus elevadores, seu estacionamento e até a sua portaria em números distintos da Augusta. O projeto foi definido como "incomum" pelo próprio diretor da incorporadora, Ricardo Laham.

Nos primeiros 18 andares do edifício funcionam as salas comerciais e, do 19º ao 27º (último andar), ficam os 147 apartamentos do hotel. Também não há acesso interno entre os empreendimentos. Ou seja, em caso de emergência e inutilização do elevador, os hóspedes têm de estar preparados para uma boa caminhada pelas escadas.

Ao todo, a Brookfield investiu mais de R$ 300 milhões para erguer o complexo. A incorporadora já negociou todos os imóveis e, conforme acordado na compra do terreno, a gerência do Ca'd'Oro ficou a cargo da família Guzzoni. Mais de R$ 15 milhões foram investidos só na parte de decoração do hotel e do restaurante que funciona no térreo dele.

De acordo com Laham, a empresa decidiu apostar no Centro pela "abundância de infraestrutura" da região em pontos como transporte e lazer, e também pelas facilidades oferecidas pela Operação Urbana Centro, da Prefeitura, que estimula os investimentos na área. "Isso desperta interesse do desenvolvimento imobiliário", contou.

Acervo
Se pouco restou do tradicional hotel na arquitetura e nos quartos, a família Guzzoni se esforçou para dar um toque vintage no lobby e nas áreas comuns do novo Ca'd'oro. Diversas obras de arte que ficavam expostas no antigo hotel foram espalhadas pelo edifício e dão um contraponto à moderna decoração assinada por uma ex-cliente.

Entre elas, chamam a atenção o raro e volumoso piano de cauda Erard, fabricado na França em 1850, disposto em um canto do restaurante, e a escultura do italiano Bartolomeo Colleoni, que fica na entrada da biblioteca.

Nascido em Bergamo, mesma cidade dos Guzzoni, Colleoni também é homenageado no cardápio do Ca'd'Oro. Diz a lenda que tamanha era a sua bravura que o italiano tinha três testículos. Um prato servido pelo restaurante com três figos faz referência à história.

Além da lista de obras, que ainda abrange quadros e mapas antigos, o Ca'd'Oro traz também um "acervo histórico de pessoas". Cerca de dez funcionários, que precisaram ser demitidos quando o hotel fechou as portas, aceitaram o convite dos donos e voltaram a trabalhar no local. "A gente sempre acreditou que a rotatividade de funcionários é um crime contra a excelência de serviço", afirma o gerente Fabrizio Guzzoni.

Um deles é o mensageiro Mario Roberto, de 68 anos, que trabalhou no hotel de 1979 até o último dia antes da paralisação das atividades, em 2009. "Fiquei muito emocionado. Depois de tanto tempo. Estava em casa, aposentado, e de repente me dão mais uma oportunidade. Eu fiquei muito contente. Queria voltar. É um sonho", relatou, com lágrimas nos olhos.

Novo formato
O novo Ca'd'Oro vai operar com 147 quartos. Até este domingo (9), apenas 20% deles estavam disponíveis para reserva, em uma espécie de teste para "aperfeiçoar o serviço", como explicou Guzzoni.

Segundo ele, a operação vai ser implementanda gradualmente. Até o fim de outubro a expectativa é já ter o hotel funcionando com 60% de sua capacidade e, até março de 2017, integralmente. O restaurante já está atendendo os hóspedes e abre para o público em geral a partir desta segunda-feira (10).

Além do restaurante, a estrutura do hotel conta com biblioteca, salas de reunião, auditórios, e mimos como piscina, sauna e academia. Famoso por ser o primeiro cinco estrelas de São Paulo, o hotel agora será  "um quatro estrelas, com atendimento cinco estrelas", promete o gerente.

Os hóspedes terão três opções de quartos, com preços que variam de acordo com seus tamanhos e com a demanda por reservas. A diária do mais rebuscado, que oferece duas antesalas e uma varanda além da suíte, custa em média R$ 1700. Já o apartamento mais simples, com apenas um cômodo e um banheiro, tem preço médio de R$ 1200/dia.

Fonte G1