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terça-feira, 19 de março de 2019

No Rio: Sítio Burle Marx é preparado para candidatura a patrimônio mundial

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O Sítio Roberto Burle Marx, localizado em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, passa pelos últimos preparativos para a candidatura a Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O dossiê da candidatura, preparado durante todo o ano passado, com 602 páginas, foi encaminhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) à representação brasileira na Unesco em janeiro e será analisado na reunião do Comitê do Patrimônio Mundial prevista para junho em Baku, no Azerbaijão.

A diretora do sítio, Cláudia Storino, diz que o processo passa por um rito predeterminado, iniciado em 2015 com a inscrição do local em uma lista provisória de candidatos. Caso o dossiê seja aprovado, no segundo semestre uma missão da Unesco visitará o sítio.

“Uma vez que eles considerem o dossiê adequado, na segunda metade do ano a Unesco envia um consultor ou dois em missão de avaliação. Esses especialistas vão ao local para verificar se o que está posto no dossiê corresponde à realidade, se falta alguma informação, se há alguma dúvida. Depois, esse consultor prepara um relatório, que é enviado ao Comitê do Patrimônio Mundial”.

Segundo Cláudia, como o comitê se reúne apenas uma vez por ano, o encontro que avaliará o SRBM será a de 2020, quando poderá ser anunciada a inscrição na lista de Patrimônio Mundial. Anualmente, cada país-membro da Unesco pode indicar apenas um bem para concorrer. O que está em processo de avaliação este ano, e pode ter a inscrição anunciada na reunião de junho, é a cidade histórica de Paraty, no litoral sul fluminense.

A diretora destaca que o sítio está em boas condições, mas necessita de alguns reparos e obras de conservação, além de uma exposição prevista para o ano que vem. Ela afirma que o orçamento necessário fica na faixa de R$ 1 milhão.

“Temos uma série de serviços colocados no nosso plano de ação, mas depende de orçamento suficiente. O sítio vem sendo requalificado desde que entrou para a lista dos candidatos. Já reformamos dois lagos, vários espaços foram restaurados, estamos finalizando a impermeabilização da cobertura do ateliê. Pretendemos restaurar o piso e o altar da capela”.

Para Cláudia, a inscrição na lista de patrimônio mundial é uma chancela importante para dar continuidade ao trabalho de preservação do local, apesar de não envolver nenhum recurso monetário.

“[A inscrição] destaca o sítio como um bem que importa para todo o mundo. Então, a preservação ganha argumento muito mais forte. O sítio já é bem cultural federal, já é importante para o Brasil e para o estado do Rio. Esse é o último degrau que um bem pode subir em termos de importância no mundo. Isso estabelece determinadas regras de preservação para o bem e para o seu entorno, uma área em que certos cuidados devem ser mantidos”.

Patrimônio cultural

Tombado como patrimônio cultural brasileiro desde 2000, o sítio é uma unidade do próprio Iphan, após a doação feita em vida por Roberto Burle Marx em 1985, que viveu ali até a sua morte, em 1994. Em janeiro do ano passado, o local recebeu a visita de especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão assessor da Unesco, dentro do processo de candidatura.

Com 405 mil metros quadrados, em que cerca de dois terços se confundem com o Parque Estadual da Pedra Branca, na zona oeste do Rio, a área aberta à visitação percorre um caminho de 1.800 metros, transformada de fazenda de café, banana e mandioca em um complexo e revolucionário jardim de plantas tropicais pelo paisagista mais importante do século 20.

Além da coleção botânica, com mais de 3 mil espécies de diversas partes do mundo, as visitas guiadas incluem a Capela Santo Antônio da Bica, construída em 1681; a Casa Principal, preservada como na época em que ali residiu Burle Marx; a Cozinha de Pedra, construção modernista onde o paisagista oferecia festas e recepções; e o Ateliê, para onde Burle Marx se mudaria no fim da vida, após doar o local ao governo federal. Ele, porém, morreu antes de a construção ser concluída.

De acordo com o Iphan, a inscrição do SRBM na lista de Patrimônio Mundial se justifica por ser obra-prima do gênio criador humano; ser testemunho de um intercâmbio de influências considerável sobre o desenvolvimento da arquitetura, das artes monumentais, do planejamento urbano ou da criação de paisagens; ser exemplo excepcional de um tipo de construção ou de conjunto arquitetônico ou de paisagem; e ser direto ou materialmente associado a acontecimentos e tradições vivas, ideias, crenças ou obras artísticas e literárias que têm um significado universal excepcional.

A diretora do sítio lembra que o trabalho feito por Burle Marx nos jardins do sítio revolucionou o paisagismo mundial. “Foram lugares de experimentação, ali nasceu o jardim tropical moderno, foi uma criação do Burle Marx, ele foi a pessoa que se deu conta de que as plantas tropicais poderiam ser utilizadas em jardim, fez grande transformação no paisagismo. A contribuição do artista para a humanidade é muito importante”.

Ela explica que está sendo feita a catalogação do acervo botânico, georreferenciado e informatizado. “Não é só preservar o acervo, é preciso dar condições de que ele seja divulgado, estudado e colocado à disposição da comunidade científica”.

Ainda dentro do processo de candidatura a patrimônio mundial, o sítio está preparando o plano de gestão, com projetos executivos de reforma do prédio da administração, um estudo sobre os espaços e recursos existentes para traçar a diretriz de uso e intervenção nos espaços tombado pelo Iphan, o desenvolvimento do plano estratégico museológico e o estudo da região do entorno. “O objetivo é verificar de que modo a gente pode atender melhor a comunidade do entorno, como isso pode dar um retorno à sociedade”, acrescenta Cláudia.

Além disso, estão em andamento um estudo de sustentabilidade econômica, a criação de um banco de dados virtual, com o acervo de autoria de Burle Marx, e a constituição do comitê gestor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Monumentos históricos e culturais são restaurados e reabertos

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                Catedral Basílica de Salvador (BA)

Quatro tesouros da história do Brasil foram reparados pelo IPHAN ( Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e entregues à comunidade e turistas. Uma boa dica para quem curte o prazer da viagem com a descoberta de tesouros culturais.

A antiga Casa de Câmara e Cadeia de Florianópolis (SC) reabriu com a função de abrigar o museu da cidade, que será implantado e gerido pelo SESC. A restauração contemplou as características arquitetônicas e históricas do prédio, bem como a adequação para o museu que vai retratar a história da cidade de forma interativa e dinâmica. O casarão de 1780 é uma das construções mais antigas da então vila de N. S. do Desterro, hoje cidade de Florianópolis.

“É fundamental para o desenvolvimento do turismo e para a comunidade que prédios históricos sejam recuperados, preservando seu valor e ganhando novas funções, seja como espaços culturais ou até mesmo ocupados com atividades turísticas e comerciais”, destacou Vinicius Lummertz.

O ministro do Turismo ressaltou também que, recentemente, esteve na Cidade de Goiás (GO), patrimônio cultural mundial, discutindo com o IPHAN e representantes de outros ministérios o melhor aproveitamento dos atrativos históricos e naturais pelo turismo.

A Catedral Basílica de Salvador (BA) reabriu as portas revelando aos turistas uma preciosidade histórica no Largo Terreiro de Jesus, coração do Pelourinho, que é patrimônio cultural mundial. A catedral é um dos primeiros e mais importantes templos brasileiros, construída pelos jesuítas entre 1652 e 1672. O monumento do século XVII abriga telas de diversos autores seiscentistas, móveis em jacarandá e objetos sacros em ouro e prata. Além de voltar a fazer parte do dia-a-dia da fé baiana, a igreja reabre para visitação turística com suas 13 capelas e imagens sacras renovadas.

Do lado de fora da catedral, destacam-se ainda o átrio e a fachada principal em cantaria e suas torres revestidas de azulejos. A obra de restauro revelou tesouros escondidos, como uma escadaria sob o altar que levava a uma catacumba. O turista também poderá ver pinturas originais que estavam escondidas e revelam imagens de santos. Trinta bustos de virgens e mártires também retornaram do museu de Arte Sacra para a igreja. A renovação da Basílica de Salvador conta com modernos equipamentos de sonorização, iluminação e sistema de prevenção e combate a incêndio.

Penedo (AL) reabriu o Chalé dos Loureiros, que foi restaurado nas margens do “Velho Chico” e vai abrigar o Museu do São Francisco. O equipamento cultural sobre a vida dos ribeirinhos do principal rio do Nordeste faz parte do conjunto histórico e paisagístico de Penedo, tombado pelo Iphan desde 1996. Quem visita a cidade se impressiona com a arquitetura religiosa e o casario histórico reunindo diversos estilos arquitetônicos. Visitantes também podem conhecer o Largo de São Gonçalo, o Casarão do Montepio dos Artistas, o Círculo Operário Escola de Santeiros, a Biblioteca Pública, o Teatro Sete de Setembro e os Galpões da orla do São Francisco, onde estão sendo implantadas a Escola Náutica, a Oficina e Marina Pública no Cais de Penedo.

Depois que completou 406 anos, São Luís (MA), reabriu a Praça Dom Pedro II, a primeira da cidade, em pedra portuguesa, onde se destaca a escultura Mãe d’Água Amazônica. O equipamento turístico faz parte do patrimônio cultural mundial de São Luís e do conjunto arquitetônico do Palácio dos Leões (Governo Estadual), Palácio La Ravardière (Prefeitura de São Luis), Tribunal de Justiça do Estado e a Catedral Metropolitana.